O Culto e a Adorao que Deus almeja

Não é raro ouvir que a joia que falta na coroa do cristianismo evangélico dos nossos dias é a adoração. Sem dúvida, nós, os crentes, passamos horas sentados nos bancos das igrejas, mas estaríamos por isso cultuando? Poucos têm parado para perguntar: “Qual seria o objetivo principal das reuniões na igreja”? Adorar ou evangelizar e aprender? Creio que muitos pensam que tudo o que acontece nos cultos é ato de cultuar, de modo que não há necessidade de nos preocuparmos a respeito da adoração.
Uma criança, ao ver um grande anúncio à entrada de uma cidade, convidando as pessoas a cultuarem na igreja de sua escolha, perguntou ao seu pai: — O que significa cultuar? O pai respondeu-lhe: — Significa ir à igreja e escutar o sermão do pregador. Provavelmente a maioria dos membros das nossas igrejas responderia de modo semelhante.
Jesus disse que Deus procura “verdadeiros adoradores que adoram o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4.23). Quem são os verdadeiros adoradores? Paulo afirmou que a verdadeira adoração é aquela que se oferece a Deus pelo Espírito, não confiando na carne, mas gloriando-se em Cristo Jesus (Fp 3.3).
Tanto as palavras de Jesus como as de Paulo contrastam a verdadeira adoração com o culto judaico ou samaritano, que envolvem sacrifícios e ritos religiosos tradicionais. Em certa ocasião os fariseus e escribas acusaram os discípulos de Jesus de não cumprirem a tradição dos anciãos. Jesus então lhes respondeu citando Isaías 29.13, que menciona que os judeus religiosos ofereciam ao SENHOR culto que não o agradava! “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mc 7.6-7).
Deus é perfeito em santidade (Mt 5.48), Criador e juiz do universo (Tg 4.12). Devemos-lhe tudo o que exalta a sua dignidade. No céu, onde o pecado não existe e a influência da rebelião do homem não se aproxima, os seres viventes dão incessante “glória, honra e ações de graças” (Ap 4.9). Os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra assentado no trono. Adorarão ao que vive... proclamando: ‘’Tu és digno, SENHOR e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder...” (Ap 4.11). Se nossa adoração não incentiva os membros da comunidade cristã a reconhecerem a dignidade de Deus e do Cordeiro (Ap 5.9,12), ela falha em princípio. Jesus Cristo é digno de receber o “poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória e louvor” (v. 12).
Para o verdadeiro adorador, a pessoa de Deus é tão preciosa quanto um copo de água fresca, puríssima, num dia de calor. “O SENHOR é a porção da minha herança e do meu cálice” (Sl 16.5). Adorar implica em peneirar nossos valores. 
Comunhão com Deus é ou não nosso alvo? Ele, ou nossos interesses, oferecem a maior atração? Cultuar, portanto, é pôr em ordem bíblica as nossas prioridades. Procuramos conhecer a Deus, e vamos conhecendo-o cada vez melhor, de modo a exaltá-lo: “Louvarei ao SENHOR em todo o tempo; o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Gloriar-se-á no SENHOR a minha alma; engrandecei ao SENHOR comigo e todos à uma lhe exaltemos o nome” (Sl 34.1-3).
 

        Pr. Russell Shedd 



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