O cordeiro, a celebrao e o shofar

Quantas lições nos dá o judaísmo, berço do cristianismo. Não sei qual é a sua crença, prezado leitor, respeito-o, seja qual for ela, mas a eclesiologia mostra que o judaísmo é um instrumento de Deus para início e provisão do cristianismo. Dele recebemos a Escritura Sagrada, dele nos veio o bem maior que é Cristo Jesus, nosso Salvador, Seus discípulos e profetas. Do judaísmo nos veio a lei de Deus, os 10 Mandamentos, o código moral, que serve de base para os direitos civis e jurídicos da humanidade. As Sagradas Escrituras dizem que nossa união com Deus deve ser racional, pensante, não repetitiva, costumeira e orações impensadas ou por emoções (Rm 12:1-2). Nosso Deus, Criador é um ser real; nossa religião tem de ser real, viva, e, embora não usemos o shofar, sabemos que o nosso Deus tem prazer em perdoar (Mq 7:18), e sempre podemos reiniciar nossa senda com Deus.
Jesus é um Deus alegre, ao criar a Terra e os céus, os fez de forma multicor, ao término juntou todos os seres angelicais que apresentaram um recital musical, enchendo a abóboda celeste. Ele criou pássaros canoros, animais marinhos que expressam alegria, até as estrelas apresentam músicas! Vede as borboletas, as flores e frutos multicoloridos, perfumes e sabores diversos, tudo fala da alegria e do amor de Deus. Não é atoa que o apostolo Paulo diz que Deus nos fez como um poema (obra de arte) Ef. 2:10). No judaísmo do tempo de Davi havia música nos cultos, 288 músicos, fora os cantores e cantoras (1 Cr 15:16). O Velho Testamento é composto, em grande parte, por poesias e músicas. A descrição da criação é pura poesia de Moisés. As escolas israelitas ensinavam música, Davi, o rei estimulava o povo: Alegre-se Israel naquele que o fez, regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei (Deus). Louvai-o pelos Seus atos poderosos, conforme a excelência de Sua grandeza. Louvai com o som da trombeta…com saltério, com harpa…com instrumentos de cordas, com adufes, com flautas, com címbalos… tudo o que tem fôlego louvem ao Senhor (Sl 149 e 150).
Somos convidados a ter amor a Deus porque Ele nos ama, e, à Sua semelhança amarmos as demais criaturas incluindo os animais.
Não temos usado o shofar para nos lembrar de nossas obrigações para com o nosso Criador e Salvador, nem para abandonarmos os maus pensamentos, praticarmos o amor ao próximo, o espírito de perdão, deixarmos a idolatria, usarmos da humildade, contudo o cristianismo nos ensina sermos mais gentis, a responder em tom baixo com mansidão e bondade em casa, no trabalho, como na igreja que frequentamos. Enfim se somos cristãos devemos agir como Cristo agia.
Na verdade o cordeiro não era para lembrar o sacrifício de Isaque, mas o sacrifício de Jesus. O Filho de Deus morreu em lugar do pecador que se arrepende do mal, não importa a malignidade, nem a quantidade de pecados, para que você e eu pudéssemos viver como se fôssemos puros. O cordeiro a ser oferecido pelo pecador devia ser branco, sem mancha, sem defeito como Cristo foi sem pecado (1Pe 1:19). O shofar, hoje teria de tocar o toque do juízo, pois Cristo ascendeu ao céu para esta finalidade (João 5:22; 12:31; 1 Pe 4:17; Ap 20:12). Diante do cenário de incredulidade, materialismo frio, e inertemente esquecido do Criador, que tal soarmos a trombeta de nossa consciência para ponderarmos nossos feitos e voltarmos para o nosso Deus, direcionarmos um pouco do tempo perdido com coisas fúteis, abandonar os erros e maus pensamentos e buscar mais a Deus, procurar fazer algo de bom para o próximo, em especial pelos nossos familiares? Diga hoje ao seu filho (a), esposa (o), pai ou mãe: “eu te amo”; sinta e curta o efeito disso! Uma visita ao asilo, levando uma mensagem de amor àqueles filhos de Deus! Fale com Deus, agradeça pelo alimento, pelas flores… Vamos fazer do hoje, um dia melhor! Uma família com mais carinho, uma vida mais divina! Quantos demonstram amor pelos cães e felinos (nada contra, tudo a favor), por que não declararmos esse mesmo afeto aos familiares.

Deus nos abençoe para que assim fazendo, contribuamos, para uma sociedade melhor, com amor e paz! 



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