Bases para a contribuio

Quando chegamos ao Novo Testamento:
Sob a graça, entregamos tudo. Sob a lei, era exigido o dízimo, mas sob a graça, damos tudo.
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo…” (Rm 12.1). Apresente o seu corpo, todo o seu ser, o que você é, o que você tem, o que você será – tudo.
Sob a lei, há uma exigência do dízimo, mas sob a graça, devemos ter o espírito de doação. Deus não exige que você dê o dízimo. Ele diz: “Onde está meu Espírito em vocês? Vocês têm o mesmo Espírito que eu. Dei-lhes a minha vida, cuja natureza é de doação, não de pechincha ou mesquinhez”. Por isso, Deus declarou que já não seria uma questão de um décimo, mas de dez décimos.
Apresente seu corpo como sacrifício vivo, todo o seu ser. Ofereça-o de volta ao Senhor como uma expressão de reconhecimento de que foi ele mesmo que lhe deu todas as coisas. Essa será a sua resposta, uma demonstração de gratidão e consideração para com ele. Não é uma exigência nem uma demanda da lei; é uma súplica, um rogo de Deus para todos nós. Se você é governado pelo seu amor, constrangido pela sua misericórdia, o que mais você pode fazer? Você é dele, totalmente dele.
Esse é o espírito de doação. Você está disposto a tornar-se pobre para que outros sejam enriquecidos? É por isso que devemos contribuir.
2. O que é contribuir?
Hoje, temos um conceito muito errado a respeito da contribuição. Ao lermos 2 Coríntios 8 e 9, vemos que Paulo associa uma palavra que nunca imaginaríamos ao ato de contribuição: graça. Os irmãos da Macedônia suplicavam, apesar de não terem muitos recursos, para que tivessem “a graça de participarem da assistência aos santos” (2 Co 8.4; veja também o versículo 6). Esse é o verdadeiro significado da contribuição.
De acordo com o grego, a palavra graça traz três significados: a graça objetiva, a expressão da graça e a resposta da graça. No sentido objetivo, a graça é algo tão belo, tão maravilhoso que causa um sentimento de prazer e de gozo profundo. Por essa razão, Deus é graça, e Cristo é cheio de graça. Quando olhamos para ele, vemos uma pessoa tão bela, graciosa e atraente, que nascem imediatamente em nós profunda adoração e um imenso desejo de servir e doar-nos a ele. Isso é graça.
Em segundo lugar, graça é uma expressão. Quando fazemos algo livremente, sem qualquer exigência, alegre e espontaneamente, estamos compartilhando a natureza de Deus. É assim que ele dá. É dessa forma que a graça se expressa.
Finalmente, temos a resposta da graça. Aqueles que recebem a graça devem ser graciosos. Lembra-se da parábola do credor incompassivo (Mt 18.23-35)? Ele devia uma quantia inimaginável, que nunca conseguiria devolver. Mesmo assim, quando seu senhor lhe perdoou, ele saiu, encontrou outro servo e o sufocou, dizendo: “Pague o que me deve”. Era uma dívida pequena, e ele colocou o devedor na prisão. Por isso, seu senhor lhe disse: “Se você não é gracioso, então não soube responder à graça. Ela lhe será retirada, e você voltará à posição de devedor”.
Portanto, a graça é a própria natureza de Deus, que dá livre e liberalmente a nós, sem condições nem demandas. Sua graça deve tocar nosso coração para nos transformar a fim de que também sejamos graciosos. Se recebemos tamanha graça de Deus, como não podemos ser também cheios de graça? E como a expressamos? Contribuindo. Não retendo, não tomando, não exigindo, mas contribuindo.
Nas Escrituras, contribuir é descrito como bênção. Nós pensamos que a bênção é receber. Mas Deus vê de modo muito diferente. É mais graça dar do que receber. Deus é aquele que sempre abençoa e sempre dá. Para ele, dar é bênção. Mas nós pensamos de modo diferente. Quando contribuímos, pensamos: “Se eu contribuir, vou perder algo, serei subtraído. Bênção é aumentar, mas agora terei de diminuir! Como isso pode ser uma bênção?”.
A Palavra de Deus diz que dar é como semear. Quando o fazendeiro faz a semeadura, por todo o período de crescimento ele está perdendo. No entanto, se ele não semear, não poderá colher. Se a semeadura for escassa, a colheita também o será; se for liberal, assim será a colheita. Quanto mais você retiver, menos terá; quanto mais der, mais receberá, porque Deus verá seu despojamento, sua disposição de dar mais.
O que é contribuir? É comunhão, compartilhar! Deus não quer que sejamos individualistas, que pensemos apenas em nós mesmos. Ele nos colocou no Corpo de Cristo. Ele quer que compartilhemos aquilo com que fomos abençoados. E quanto mais você compartilha, mais ele o supre, para que você possa compartilhar mais. Quanto mais você retiver, menos retornará. Assim acontece não apenas nas questões materiais, mas também nas espirituais. Quem retém é como o Mar Morto: recebe todo o tempo, mas nunca dá. Não haverá vida ali. Precisamos ser como o Jordão. Tudo o que é recebido, nós entregamos. É como a corrente de um rio que é vivo.
E qual é a bênção dessa comunhão? É que não somente fomos libertados, mas que outros serão enriquecidos. Quando nos dispomos a contribuir, Deus nos confia ainda mais. Porque contribuímos, aqueles que receberam pedirão bênçãos a Deus para nós. Isso não é uma graça maravilhosa? É assim que deve ser o ciclo prático do dar e receber dentro do Corpo de Cristo!(continua...) 



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