AS BASES PARA A CONTRIBUIO

 A igreja de Corinto tinha muitos problemas. A razão era que, muito embora os coríntios fossem salvos pela graça do Senhor, ainda continuavam a viver em sua própria carne. O maior problema de todos era a carnalidade.

Logo no início da primeira carta de Paulo aos Coríntios, vemos que nosso chamamento (1 Co 1.9) é ser incluídos na riqueza da comunhão que Deus Pai e Deus Filho compartilham igualmente, sem ego, plena e completamente um com o outro no Espírito desde a eternidade. É a carnalidade que nos impede de experimentar essa comunhão na prática.
Ao longo da epístola, vemos várias manifestações ou evidências de carnalidade e como devem ser tratadas. No último capítulo, chegamos a um assunto que tem grande importância nessa questão de comunhão e vida comunitária:
Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for (1 Co 16.1-2).
Naquele tempo, os crentes em Jerusalém e na Judeia passavam por circunstâncias econômicas difíceis, enquanto as igrejas no mundo gentio eram mais prósperas. Paulo sempre lembrava os crentes, em todos os lugares por onde passava, da importância de dividir o que tinham com aqueles que estavam passando necessidade. Sabemos, pelo que escreveu nas duas cartas aos Coríntios, que foi preciso falar várias vezes e relembrá-los desse assunto. Assim como acontece hoje, a contribuição, que faz parte da comunhão entre o Pai e o Filho, não flui naturalmente entre nós. A causa é a mesma: a carnalidade.
 
Perguntas Fundamentais
 
1. Por que contribuir?
Qual é a razão de os cristãos terem a obrigação de contribuir? Sabemos que, quanto à natureza humana, o contribuir não é natural. Sim, dizemos contribua, contribua – mas contribua comigo! Essa é a natureza humana! Distribuir ou ceder é uma perda para mim; não gostamos disso. Por que devo dar dinheiro para os outros?
É muito simples: contribuímos porque Deus é doador, e essa é sua natureza. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação…” (Tg 1.17). Em outras palavras, ele é constante: sempre dá, e nunca se recusa. Este é o nosso Deus!
Há um texto que nos ensina tudo sobre contribuir: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). É assim que Deus dá! Ele dá porque ama dar – tanto que deu tudo o que tinha. Ele, que não poupou seu único Filho, reterá alguma coisa de nós?
Jesus tinha o mesmo Espírito: “… pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza vos tornásseis ricos” (2 Co 8.9).
Ao pensar na graça do nosso Senhor Jesus, como você a descreveria? Não é algo vago; pelo contrário, pode ser muito bem conhecida: “… sendo rico, se fez pobre”, por nossa causa. Ele abriu mão de toda a sua riqueza (da plenitude de Deus, de glória, honra, poder, amor, justiça, santidade – todas as insondáveis riquezas de Cristo) para ser o pobre carpinteiro de Nazaré. Abriu mão até da própria vida para ser crucificado na cruz do Calvário.
Ele se deu completamente. Ele, que é a pessoa mais rica do universo, por nossa causa, voluntariamente, tornou-se a pessoa mais pobre do mundo. Por quê? Para que, por sua pobreza, pudéssemos ser ricos. Se escolhesse mantê-la, estaríamos na miséria para sempre.
Se não houvesse nenhum outro motivo para contribuir, esse já seria suficiente: por causa da natureza do nosso Deus e do que ele fez por nós. É por isso que o cristão contribui, dando do que tem de volta para ele.
Os primeiros exemplos do dízimo no Antigo Testamento mostram exatamente essa ideia central de gratidão. Em Gênesis 14, vemos como Abraão obteve vitória sobre os quatro reis estrangeiros que atacaram Sodoma, libertando Ló e recebendo muitos despojos. Melquisedeque, rei de Salém, o rei de justiça e o sumo sacerdote de Deus, saiu ao seu encontro e o serviu com pão e vinho, relembrando-o de que foi Deus que lhe dera aquela vitória. E o que Abraão fez? Tomou a décima parte de todo o despojo e a deu a Melquisedeque. Em outras palavras, ele reconheceu que sua vitória viera de Deus, não dele mesmo. Todas as coisas lhe foram dadas por Deus, e ele deu o dízimo para expressar sua gratidão.
O segundo exemplo, em Gênesis 28, vem da vida de Jacó, o suplantador. Ele estava fugindo da ira de seu irmão e ficou tão cansado no deserto que deitou a cabeça sobre uma pedra e dormiu. Deus apareceu-lhe de noite e disse: “Eu sou o Deus de seu pai. Vou abençoar você, dando-lhe esta terra. Sua descendência será abençoada também e abençoará todas as nações”. Jacó levantou-se temeroso e disse: “Eu não sabia, mas Deus está aqui! Isso é terrível!”.
Jacó não conhecia Deus muito bem, e não podia imaginar a grandeza do seu amor e da sua graça. Era tão limitado em sua pequenez que disse: “Se o Senhor me guardar mesmo em todo o caminho, dando-me roupa para vestir e comida para comer, trazendo-me em segurança para casa, então tu serás o meu Deus e te darei o dízimo”. Portanto, mesmo no entendimento limitado de Jacó, o dízimo era um sinal de gratidão pela proteção e provisão de Deus.
Em Levítico 27.34, vemos o dízimo sob o regime da lei. Deus ordenou que o povo desse o dízimo do fruto de suas terras, das árvores e dos animais. O dízimo era para mostrar duas coisas: que tudo vem de Deus e para demonstrar gratidão a ele. Na verdade, o que se devia entregar a Deus no Antigo Testamento era mais do que um décimo da renda. Se um israelita fosse fiel ao Senhor e amasse a Deus de coração, ele dava, além do dízimo, a oferta alçada, a oferta pacífica (de amor) e todos os outros tipos de oferta.
(continua...)



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